Actividade de moto-taxista garante sustento de muitas famílias

“Já não sabia o que dar de comer aos meus filhos e à esposa. Foram cinco meses de apertos. A única solução era trabalhar à revelia, fugir dos polícias para regressar a casa com alguma coisa”.

 O desabafo é do jovem moto- taxista Ernesto Calenga, que tem nesta actividade a única fonte de rendimentos. 
Ernesto Calenga tem 30 anos e trabalha como moto-taxista desde 2017. Saiu de Benguela com 12 anos para tentar a vida em Luanda. Hoje, vive no bairro da Samba com a esposa e três filhos.

Depois de várias tentativas noutros empregos ou formas de ganhar dinheiro, o jovem teve como única alternativa entrar no serviço de moto-táxi. 
Antes da pandemia conseguia “fazer” 17 mil kwanzas por dia, mas o dinheiro é dividido com o patrão, que recebe metade.
Desde o início do confinamento, a vida de Ernesto tornou-se num pesadelo. Era obrigado a fugir dos polícias para poder trabalhar.
Contou que para sobreviver, durante o período de confinamento, teve de passar por várias situações constrangedoras, tendo sido obrigado a pagar multas e parar diversas vezes em esquadras. 

Geralmente, a corrida é cobrada em função da distância que o passageiro solicita. O cliente pode pagar entre 500 e 2.000 kwanzas, de acordo com a distância.
Com esta abertura dos serviços, acredita que as coisas venham a melhorar. Ontem, disse, já conseguiu dez mil kwanzas, mas afirma haver poucos passageiros nesta altura, porque muitas empresas estão fechadas e o número de trabalhadores também está reduzido.

Ernesto assegurou que antes de um cliente subir na motorizada tem de colocar a máscara facial e higienizar as mãos com álcool em gel.
Normalmente, começa a trabalhar às 6h00 e termina às 21h00. 
O levantamento das restrições sobre a actividade dos moto-taxistas foi aplaudida ontem, por alguns jovens que dependem deste trabalho para sustentar as famílias. 
João Francisco, de 27 anos, faz o serviço na zona do Zango. Disse que estava cansado de fugir da Polícia, mas teve de arriscar e continuar com o trabalho, porque é a sua única fonte de rendimentos. 

“Durante esses últimos cinco meses foi difícil sobreviver, porque o rendimento baixou. Antes conseguia fazer por dia sete ou oito mil kwanzas, mas com esta pandemia apenas conseguia fazer dois ou três mil”, contou. 
César Rodrigo faz o serviço de táxi na zona da Gamek. Revelou que se sente satisfeito com as novas medidas, porque vai ajudar muitos jovens que estão no desemprego e que têm esse trabalho como a única fonte de rendimentos. 

O serviço de moto-táxi de passageiros foi retomado na segunda-feira, no quadro do levantamento de algumas medidas de restrição. Até aqui tem sido notável o cumprimento das medidas de protecção contra a Covid-19 por parte dos moto-taxistas e passageiros. 
As medidas excepcionais e temporárias definem que o serviço de moto-táxi de passageiros deve começar às 6h00 e terminar às 21h00. O não cumprimento obriga o pagamento de uma multa de 5.000 a 10.000 kwanzas.

Mais de 500 mil motoqueiros no país

A Associação de Motoqueiros e Transportadores de Angola (Amotrang) controla mais de 500 mil moto-taxistas em todo o país. Só em Luanda estão 36 mil inscritos.
O presidente da associação, Bento Rafael, saudou a retomada da actividade.“ Muitos foram obrigados a arranjar outras actividades”, referiu.

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