HINO DA INDEPENDÊNCIA E O SEU CUSTO ABSURDAMENTE DESNECESSÁRIO

Numa fase em que o executivo conduz a bom porto o país, rumo a correcção do que está mal e melhoria do que está bem, investir 148 milhões de kwanzas para a “colheita” de um hino para a comemoração dos 45 anos de independência nacional (Dipanda), pode tudo, menos parecer ser uma acção digna de vénia, quer para o ministério de tutela, quer para o governo de João Lourenço.

Em pleno momento em que todos os males ainda aterrorizam a vida de milhares de cidadãos em Angola, desde a falta de alcance geral e eficiente dos serviços públicos diante das distintas e muitas localidades, tirar dos cofres do Estado uma quantia de enorme peso para a produção, propaganda e realização do vídeo clipe de uma música, ou hino, como diz-se, é um acto digno de analise minuciosa, pois cheira a sujeira aí.

Quando este assunto chegou à superfície, lembro-me de ter ouvido uma amiga a dizer: “com este valor, não seria possível construir uma escola de música, formar os alunos e, estes, como forma de gratidão, criarem um hino para a Dipanda?” e eu concordei profusamente. Todavia, compreendo a intenção da empresa contratada em querer enriquecer o hino, dando-lhe o prestígio de ser interpretada por vozes veneradas do musical angolano. 

Mas, pensemos: no quadro das responsabilidades sociais, aliado ao sentimento patriótico que cada cidadão tem, que músico não demostraria o interesse em participar de uma música de tamanha importância para o país, caso soubesse que teria sido convocado pelo facto da música compreender os grandes nomes do mercado de três gerações? Sou jornalista, e já trabalhei com muitos músicos, sei que todos manifestariam o interesse imediato de participar, pois isso elevaria o seu repertório e Status.

Entretanto, nada justifica tal contrato senão o cheiro de esquema entre as partes envolvidas que grita para todos ouvirem. Como cidadão preocupado com o bem comum e com uma governação equilibrada, faço-me do presente para chamar a atenção do Presidente da República a tomar controlo desta situação, de modos a dar o devido tratamento, para que isto, mais uma vez, faça face a luta que tem levado a cabo.

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