JLO NÃO PODE SER REFÉM DA MEDIA PORTUGUESA

Os holofotes nas redes sociais apontam para uma manifestação apelando o Presidente da República a ter que demitir o Ministro de Estado e Chefe do Gabinete do Presidente, por conta da reportagem apresentada pelo canal português, TVI, que depois descobrimos, pela CM Tv, que pertence a Manuel Vicente e Isabel dos Santos.

Tal como o General Garcia Miala, como já é de conhecimento público, Edeltrudes Costa também chegou a ser afastado pelo governo de José Eduardo dos Santos, sob orientação dos seus «marimbondos» de confiança, por não aceitar ser cúmplice de vários esquemas que hoje deixaram o país nesta corda bamba economicamente.

            Todavia, e tal como se diz que “o universo joga a favor daqueles que merecem”, Edeltrudes Costa foi recuperado pelo Presidente da República, por conta do seu bom nome e prestigio, para integrar agora um governo sério, sem esquemas e com uma luta contra aqueles que ordenharam ilicitamente o erário publico. Mas estes mesmos ladrões, que já não fazem parte do novo governo, pelo poder económico que conquistaram, usam-se de todos meios possíveis para atingi-lo e sujar o novo governo, e isso está claro, basta alguém querer ver.

            A media portuguesa, um dos investimentos de certos marimbondos, como Isabel dos Santos e Manuel Vicente, que detém a TVI, Rádio Comercial e outros órgãos de comunicação social de Portugal ainda por se descobrir, tem sido o mecanismo que estes encontraram para fazer face ao combate a corrupção e repatriamento de capitais que os atingiu, o que também criou um mar de questionamento socialmente em Angola.

            Porém, precisamos compreender que Portugal não é Angola e cada país tem os seus problemas. Eu mesmo critiquei severamente João Lourenço por nos dar a entender, no âmbito da pandemia da Covid – 19, que Angola também deve posicionar-se como Portugal, mas agora, não posso ser tolo em apoiar a ideia de demissão de Edeltrudes Costa, sem saber primeiro quem está por detrás destas denúncias e, até mesmo, porque nós angolanos não influenciamos nas tomadas de decisões do governo português, ainda que quiséssemos, eles não permitiram, uma vez que ainda agem como se fossem nossos colonos.

            O Presidente de Angola não pode ser imediatista e sair a demitir gestores públicos que forem alvo de alguma denúncia, pois, dada a estas situações, todos temos a prerrogativa de presunção de inocência, nos termos da lei. Agora, pensemos: e se isto não passar exactamente de difamação e calúnia, com o objectivo de deixar cair um profissional, tal como aconteceu com Miala?

            Miala e Edeltrudes são nomes de pessoas que fizeram afronta a grandes figuras do tempo de José Eduardo, como Kopelipa, Manuel Vicente e José Maria, o que lhes custou grandes sanções, pois não concordavam com ideologias comungadas no partido. Neste momento, estes mesmos nomes hoje, que foram rebuscados para integrar um novo governo, com uma nova direcção e missão, podem ser alvos de boicotes, mas o nosso povo não se dá ao tempo de pensar na possibilidade dos marimbondos usarem-se dos patrimónios e influências em Portugal para atingir Edeltrudes.             Não apelo ao populismo, mas sim ao patriotismo. Enquanto activista social e cidadão, acima de tudo, compreendo que muito há que se melhorar, mas convido a todos, antes de mergulharmos em ondas de populismo, sobretudo por vir de antigos colonos que comiam tranquilamente as custas do sofrimento da nossa terra e do nosso povo, a não aderirem a demissão de Edeltrudes, pois Portugal não colocaria aqui a colher, se não fosse para o seu próprio beneficio.

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