ORMED contesta norma do uso de máscara

Luanda – A Ordem dos Médicos de Angola (ORMED) solicitou esta segunda-feira, ao Governo, a revisão da norma que impõe o uso obrigatório de máscaras em carros pessoais.

Conforme o novo Decreto Presidencial sobre a Situação de Calamidade Pública, o uso deste equipamento torna-se obrigatório mesmo quando o motorista circula sozinho dentro da sua viatura.

O incumprimento deste normativo da azo à aplicação de multa, no valor de 5 mil kwanzas.

De acordo com a ORMED, que reagia à morte do pediatra Sílvio Dala, não há “evidencias científicas suficientes” para sustentar a tese do uso obrigatório de máscaras em viaturas individuais.

A ordem lamenta, por outro lado, a morte do médico, e condena o comportamento da Polícia Nacional, por ter ignorado todos os factores atenuantes e prescindido do papel pedagógico.

Lamenta que a corporação tenha levando para a esquadra um profissional bem identificado, visivelmente esgotado fisicamente por cumprir mais de 32 horas de trabalho seguidas.

“Após avaliação dos factos, a ORMED considera pouco clara as circunstâncias em torno da detenção e morte do médico, uma vez que são desencontrados os pronunciamentos da PN, o que sugere  uma zona cinzenta por esclarecer”, lê-se na nota da ordem, enviada à imprensa.

A ORMED, apesar de valorizar a idoneidade da PN, considerando-a entidade respeitável e honesta, solicita, no entanto, uma nova investigação independente, às circunstâncias em torno da morte do médico pediatra angolano.

(Por dentro do caso)

Segundo a primeira versão do Ministério do Interior, Sílvio Dala foi interpelado por um efectivo da Polícia Nacional, por não uso de máscara na sua viatura, e levado à esquadra.

A medida do efectivo da PN baseou-se no novo Decreto Presidencial sobre a Situação de Calamidade Pública, que impõe o uso obrigatório de máscara na via pública e no interior das viaturas, até as pessoais.

O porta-voz do Ministério do Interior, Waldemar José, afirmou, há dias, que o médico teria sido encaminhado para uma esquadra policial mais próxima, onde foram cumpridas todas as formalidades da elaboração do auto de notícia e a respectiva notificação de transgressão.

Pelo facto de esquadra não possuir mecanismo para o pagamento da multa de cinco mil kwanzas, disse, o médico terá ligado para alguém próximo para efectuar o respectivo pagamento e levar o comprovativo à esquadra.

Foi nesse período de espera, de acordo com o oficial comissário, que o cidadão terá começado a passar mal e desfalecido (desmaiou), embatendo com a cabeça no chão.

O mesmo, afirma, foi prontamente posto numa viatura das forcas de defesa e segurança que a levava para o Hospital do Prenda, no mesmo distrito, onde veio a falecer durante o trajecto

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