Para não ficar sozinho com as culpas Kopelipa arrasta Manuel Vicente

Foi aberto, este ano, na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), da Procuradoria-Geral da República, um processo-crime sob o no 12/2020, que visa investigar a gestão do Gabinete de Reconstrução Nacional (GNR) que ao tempo do governo de José Eduardo dos Santos teve como director-geral, o general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”.

Para arrancar com o processo que decorre sem alarido, a PGR decidiu notificar todas as empresas que prestaram serviços a este Gabinete para que submetam ao DNIAP, a cópia e adendas de eventuais contratos que firmaram no passado com o GRN ou com a SONIP – Sonangol Imobiliária e Propriedades. Está a ser também exigida a identidade dos responsáveis das mesmas empresas tais como cópias de facturas e outros documentos equivalentes.


Ouvido pela primeira vez no passado dia 30 de Setembro, quanto ao referido processo-crime, 12/2020, que investiga negócios envolvendo o extinto Gabinete de Reconstrução Nacional (GNR), o general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, forneceu dados a PGR que abrangem outras figuras do regime como é o caso do antigo patrão da Sonangol, Manuel Domingos Vicente.
O processo em causa, investiga concretamente contratos celebrados pelo Estado angolano, representado pelo Gabinete de Reconstrução Nacional (GNR), pela SONIP- Sonangol Imobiliária para serviços referente a construção de projectos habitacionais em Luanda.


Na breve audiência, “Kopelipa” confirmou que de facto ele foi o director-geral desta estrutura por um período de seis anos, tendo depois sido forçado a sair por conta de recomendações médicas.


Por outro lado, explicou que o GNR teve um DG Adjunto, Manuel Domingos Vicente, que acumulava com as funções de PCA da Sonangol. Foi no período da sua saída do GNR que o seu adjunto assumiu interinamente o comando do gabinete até a nomeação de um novo titular em Agosto de 2010, António Teixeira Flor.


No final da audiência, os magistrados entregaram ao antigo chefe da Casa de Segurança um documento para que lhe fosse aplicada restrições mediante o Termo de Identidade e Residência (TIR), tendo Kopelipa rejeitado assinar, justificando que só o faria na presença do seu advogado que nesse dia não se fez presente nas instalações da PGR.


Uma segunda audiência foi remarcada para o dia 06 de Outubro do corrente ano, mas Kopelipa apresentou um requerimento a pedir a remarcação para o dia 13 de Outubro, a pretexto de que aguarda pela chegada do seu advogado que se encontra na capital portuguesa.


Ao tempo o governo de José Eduardo dos Santos havia um Ministério das Obras Públicas, liderado por Higino Carneiro. Porém, em Outubro de 2004, a Presidência angolana criou o Gabinete de Reconstrução e Reabilitação Nacional, com funções equiparadas a «um ministério da construção paralelo». Na sua definição oficial, as autoridades alegavam que o GRN tinha como atribuição «promover, acompanhar e supervisionar a implementação de programas específicos no domínio da recuperação económica e social».


A nível internacional, várias publicações mundiais apresentavam o Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN) como um instrumento usado pela Presidência da República para controlar os fundos da linha de credito da China a Angola, destinados à reconstrução do país.


Também fazia parte do CIF, o chinês Sam Pa levado ao regime por Manuel Vicente e que se encontra a cumprir pena pérpetua no seu país.
Dentre os protagonistas do CIF- China Internacional Fund foram até ao momento constituídos como arguidos, os generais Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” e Leopoldino do Nascimento “Dino”.


Há estimativas de que Manuel Domingos Vicente e Orlando José Veloso possam também ser chamados como declarantes, tendo em conta que este mesmo processo (12/2020) investiga contratos celebrados pelo Estado angolano, representado pelo Gabinete de Reconstrução Nacional (GNR), e pela SONIP- Sonangol Imobiliária para serviços referentes a construção de projectos habitacionais em Luanda.


Orlando José Veloso, antigo Presidente da Comissão Executiva da SONIP encontra-se em Portugal. Fontes próximas ao mesmo atribuem-lhe receios de regressar a Angola a curto prazo, receando processos movidos pela PGR. Já, Manuel Domingos Vicente é dado pelas autoridades judiciais como estando incontactável, havendo informações de que se ausentou do país, em meados da semana passada, rumo a Europa.


A PGR notificou igualmente empresas de fornecimento de material de construção, que prestaram serviços de transportes, apoio logístico, respeitante a empreitada de construção do projecto habitacional Zango 0, Kapari, Centralidade Kilamba, e outras, construídas com fundos provenientes do empréstimo da China

Licínio Adriano

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