Sindicatos contestam medida do Minsa

Luanda – Os sindicatos do sector social contestaram, nesta sexta-feira, a transferência do presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA), Adriano Manuel, do Hospital Pediátrico David Bernardino (HPDB) para a direcção dos recursos humanos do Ministério da Saúde (MINSA).

O responsável sindical e especialista na área de pediatria foi transferido recentemente para o MINSA, por, supostamente, divulgar um áudio a denunciar falta de condições de trabalho no Hospital Pediátrico David Bernardino (HPDB).

Na suposta denúncia, Adriano Manuel teria afirmado que a unidade hospitalar registou a morte de 19 crianças em apenas 48 horas, no último mês de Junho.

Além da transferência, deverá pagar uma multa que resultar do desconto de um sexto do seu salário, durante dois meses consecutivos.

Conforme os sindicatos do sector social, que realizaram uma conferência de imprensa a propósito, foi produzido um manifesto conjunto que será remetido ao Presidente da República e outras entidades, a fim de se rever essa decisão.

Em declarações à Angop, o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Médico de Angola (SINMEA), Pedro da Rosa, informou que poderão, nos próximos dias, surgir manifestações, aventando a hipótese de uma paralisação dos serviços médicos.

Por seu turno, o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Superior (SINPES), Eduardo Alberto, entende que a transferência foi um acto de “má-fé”.

Referiu que as denúncias do sindicalista foram públicas e contribuíram para a melhoria das condições de trabalho da unidade hospitalar.

Por sua vez, a vice-presidente do Sindicato Nacional de Professores (SINPROF), Hermínia Maria do Nascimento, disse que o lesado agiu como sindicalista, frisando que nessa condição tem a obrigação de denunciar.

A propósito do assunto, a Angop tentou obter a reacção do Ministério da Saúde, mas não obteve resposta até à altura da publicação desta notícia.

Entretanto, a esse respeito, o director-geral do Hospital Pediátrico, Francisco Domingos, disse, há dois meses, que o aumento de mortes no banco de urgência, por diversas patologias, deveu-se à redução no atendimento de pacientes, por causa das limitações da Covid-19.

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