“Terrorismo de Estado” no HGH: Doentes morrem por falta de Acesso à UTI

Por Luis De Castro:

O Hospital Geral do Huambo (HGB) volta a ser notícia pelas piores razões. Nos últimos dias, o HGB tem sido palco de um puro e “refinado” atentado de “terrorismo de Estado” ao “impedir” que pacientes, em estado grave, possam receber tratamento especializado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), recentemente apetrechada, pelo facto de não ter sido inaugurada até ao momento, o que obriga os especialistas a trabalhar em um local adaptado, sem condições recomendáveis.

Em 2018, quando o Presidente da República, João Lourenço, após ter ouvido o grito de socorro da população do Huambo, no sentido de melhorar a imagem da unidade hospitalar de referência, autorizou a reabilitação do HGB, avaliada em cerca de 1.500 milhões de Kwanzas, na altura, pensamos que o calvário dos cidadãos, teria um fim à vista, a julgar pelo avançado estado de degradação que o imóvel apresentava, associado ao facto da superlotação que se registava no internamento dos pacientes, em que muitas vezes, os doentes eram “obrigados” a partilhar a mesma cama, sem deixar de mencionar, o facto da limitação que se registava (regista), em termos de equipamentos de tomografia, triagem, monitores cardíaco, etc.

Paradoxalmente, após à conclusão das obras, vários serviços, ora criados e/ou melhorados na referida unidade hospitalar, não “podem” ser utilizados porque ainda não “descerrado à placa” ou o célebre “corte da fita” pelo Presidente da República, ou em última instância, pela ministra da Saúde.

Enquanto isso, diariamente os pacientes morrem à porta do hospital ou nos braços dos profissionais de saúde, tudo por mera burocracia da famosa “ordem superior”. Parece que esse “fantasma” vai continuar a assombrar o funcionalismo público!

Apesar de ter sido reabilitado, o HGH tem apenas cinco camas na UTI, para o universo de 2.309.809 habitantes que a província possui , sem perder de vista que o Hospital do Huambo tambem recebe pacientes provenientes das províncias vizinhas do Bié, Cuanza Sul e Cuando Cubango. Tudo isso acontece numa altura em que o (des)governo angolano gasta, aproximadamente, 150 milhões de Kuanzas para escrevinhar um hino em alusão aos 45 anos de independência nacional. Pouca vergonha!

De acordo com fontes fidedignas, os gestores hospitalares não têm competência de comprar respiradores (não existe uma rubrica), para responder à demanda. O caso mais aberrante é que a Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal não dispõe de respirador, ou seja, os petizes  estão a morrer diante do festival de “terrorismo de Estado” das autoridades locais.

O Hospital Geral Do Huambo foi fundado em 1948. A obra de ampliação do HGH tinha sido paralisada em 2014. Há dois anos, o desbloqueio da referida empreitada permitiu criar algumas valências, entre as quais a construção de uma UTI com capacidade de oito camas, mas apenas funcionam cinco, apesar que na visão de especialistas, o Hospital de referência da cidade planaltica carece de uma uti com capacidade no mínimo de 50 camas.

Um assunto que é do conhecimento da governadora do Huambo, Lotti Nolika, de quem se espera pôr fim ao “terrorismo de Estado”, afinal, o povo do Huambo não pode nem deve ser levado em consideração, apenas à “boca das urnas”.

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