Turma do Apito: Brigada de vigilância e segurança ou milícia legalizada?

Fruto do crescimento da onda de criminalidade em Luanda e no resto do país, as administrações municipais e distritais e a polícia nacional admitindo a incapacidade do Estado em combater este mal social, autorizaram a criação das brigadas de vigilância nos bairros denominadas “Turma do Apito” que têm a missão de patrulhar os bairros evitando qualquer tentativa de assalto ou luta de gangues nestes bairros, e em contra partida, várias vozes da sociedade civil são contra ação, alegando ser uma milícia que o Estado está a criar e num futuro breve poderá ganhar repercussões que o próprio Estado não terá condições de dominar e podem vir a se tornar o próprio perigo das suas zonas como acontece em algumas paragens do mundo.

Se para os munícipes do Cazenga e Sambizanga que viram a criminalidade reduzida nos últimos seis meses desde a criação da brigada “Turma do Apito” esfregam as mãos de contente e ovacionam a iniciativa, a quem teme pelo o pior, e buscam exemplos como do Brasil, onde hoje a polícia perdeu o seu poder em certas regiões devido as ações destas brigadas que tomaram de assalto o poder da polícia, por isso, teme-se que venha a acontecer o mesmo na nossa capital.

O jurista Alberto Tchitunda defende que “os meios de justiça e controlo a criminalidade é tarefa de entes públicos e não privados”. E o politólogo Augusto Bafuá Bafuá partilha a mesma opinião, justificando que estás brigadas a princípio são organizadas mas depois de ganharem um poder principalmente financeiro poderão se tornar o perigo destas mesmas circunscrições e que fim a cabo vão se transformando em milícias que já estão legalizadas.

Já a polícia justifica a ação como uma medida que se enquadra nas estratégias do combate ao crime com a participação da população que a polícia nacional tem levado a cabo, visto que, a princípio as brigadas devem ser compostas por maiores de 18 anos e em certezas zonas são selecionados homens com experiência militar, ou seja, os vizinhos que são polícias ou militares são a prioridade para comporem a brigada.

Estes depois de um tempo obrigam os moradores da zona sobre a sua guarnição a comparticiparem com algum valor diário, semanal ou mensal que possa servir de incentivo para o grupo, é aí onde reside o grande problema, porque muitos civis por fazerem parte desta brigada comportam-se como polícias ou militares pondo em risco a vida de muita famílias, por isso, deve se chamar a responsabilidade as administrações e polícia que estão a depositar este poder aos cidadãos. A quem recorre ao ano de 1992 para dizer que neste ano já havia estás brigadas e foram estes que dizimaram centenas de famílias inocentes no descalabro da guerra.

Caro leitor, a turma do apito é para ti uma brigada de vigilância e segurança ou uma milícia?

Por: Pumba Kibozo

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